sexta-feira, 6 de março de 2026

Meu sofá

Faz mais de um mês que eu comprei um sofá.

Fiz as contas certinhas para que ele chegasse na data ideal.

Ele estava programado para chegar num determinado dia, então, fiquei no aguardo o dia todo. Eu precisava estar lá para recebê-lo, pois é um objeto bem grande, que ocupa espaço, e o prédio não teria onde armazenar. Vivi esse dia apenas para esperar a chegada do sofá. Ele poderia chegar a qualquer momento. Tomar banho tinha que ser rápido, pois o interfone poderia tocar. Qualquer tarefa diária era feita pensando na chegada do sofá. Não via a hora de me aconchegar nele. Será que eu tinha escolhido o tamanho certo? Só quando ele chegasse eu saberia se combinou com a casa. O sofá talvez seja meu lugar favorito de uma casa, e agora, eu teria um novinho só pra mim. 

Aguardei ansiosamente o dia todo, e… 

O sofá não chegou. A entrega está atrasada. 

Ele está “em rota” há um tempo já. 

Não há previsão de chegada. 

Eu pergunto para o local onde comprei e eles dizem que a transportadora que atrasou.

O tempo todo eu entro no aplicativo para ver onde o meu sofá está, qual a sua localização e se existe alguma previsão de chegada. Vai que ele chega e eu não estou lá pra receber. 

A ansiedade está presente o tempo todo.

Fico com receio de terem esquecido dele em algum lugar, ou terem mandado por engano para outra pessoa em outra cidade. Tantas coisas passam na minha cabeça, até se a culpa é minha por ter escolhido o fornecedor errado. To com tanto medo que ele não chegue. 

“Ah, mas é só um sofá!” 

Você não faz ideia do quanto eu preciso de um sofá, desse sofá, o meu sofá, mas ele não chega. Só avisam que ele está a caminho, que um dia chegará, mas quando? 

Enquanto isso, eu olho pra minha sala vazia.

Ela está fria, sem ter onde sentar.

E eu? Continuo esperando ansiosamente.

Esse texto não é apenas sobre sofás. 

(Francis Helena Cozta)

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