quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Superação

Acho que não existe melhor palavra para o desafiador 19. Eu nem vi o ano virar e ele veio arrebentando. O ano que senti medo de perder absolutamente tudo, que chorei durante 12 dias seguidos, que me angustiei, que vi minha vida exposta de uma maneira da qual nunca quis ou imaginei e só tive certeza que a popularidade não me seduz em nada, que vi a melhor oportunidade da minha vida apenas passar pelas minhas mãos. Em contrapartida eliminei 22 sacos de 100 litros de “não alegrias”, sambei em cima do carro alegórico, recebi “sins”, vi e senti a cura de perto, me resguardei, saltei de um avião e voei, conheci a personagem preferida da vida, entendi o que não quero mais, estudei, viajei, tive a mais profunda e incrível experiência “tambabense”, dei a volta por cima, me entreguei, viví a magia de me sentir “anjo” e amei o “hoje”. Coloquei em prática os livros lidos, assisti coisas que mexeram demais comigo, estudei coisas completamente novas, aprendi e me superei. O cabelo cresceu e 10 kilos se foram. Mudei o ponto de vista em vários aspectos. Tudo termina completamente diferente de como começou! Obrigada a cada um que fez parte disso tudo! Obrigada por absolutamente tudo, 2019... Não te trocaria por nenhum outro momento! Estou presente hoje!

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Anything Can Happen


Você sabe que algo se tornou especial quando um pedacinho daquilo se torna a sua oração. A cada obra, personagem e equipe que eu trabalho, algo se transforma dentro de mim. Não é à toa que sempre a atual personagem se torna a minha preferida. Parece que as “minhas meninas” (as personagens) chegam no momento devido... Sempre! É a personagem que encontra o ator e não o contrário. Minha vida é um eterno caminhar efêmero. Assim como a natureza com as suas estações e a Lua com as suas fases, a minha vida é um constante abrir e fechar de ciclos. Muitas vezes em um único dia intenso de trabalho, eu faço “amizades de infância”, entrego meu coração, abro a minha vida e nunca mais vejo aquelas pessoas. As histórias mais incríveis e as trocas de experiências mais fantásticas que tive, às vezes duraram “apenas” algumas horas. Além da escolha da profissão, ser artista é uma escolha de vida, pois tudo é impactado por causa dessa escolha. Eu escolho o risco e a instabilidade todos os dias. Mas o que é a vida, se não exatamente isso? Talvez tenha sido somente esse ano que “aceitei” minha condição no mundo e que de fato entendi que toda escolha tem muitas renúncias. E que de alguma forma ao ganhar uma coisa, se perde muitas outras. A vida é assim mesmo. As perdas sempre estarão aí. E não é sobre escolher o que você quer ganhar, e sim sobre o que você está disposto a perder. Quando se entende isso, a dor se vai e assumir sua escolha é a opção mais racional e sensata. Eu nunca sei o que vai acontecer e ainda bem, porque tudo pode acontecer... Se você deixar! (Francis Helena Cozta) ☂️
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Foto: Bruno Cayses 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Até o fim

Mesmo que pareça ser a mesma coisa, é sempre diferente. Existe um padrão na repetição, mas mesmo assim é sempre diferente. Talvez não doa como antes porque a maturidade vem trazendo outras sensações. E não é pelo fato de já ter se acostumado. Impossível acostumar-se com certas coisas como vontade (quando é genuína e vem do coração) ou com desilusão. Impossível acostuma-se com o que faz seu coração de fato vibrar. Mas já não existe mais a sensação de desespero ou revolta, mas sim de pena. Poxa, que pena.  Até quando será possível? Até o fim, porque a certeza é sempre maior que tudo! As consequências e as renúncias resultantes da escolha são muitas e bem desgastantes. E mesmo que os picos de extrema felicidade sejam escassos (ainda) e todavia sejam a exceção (e não a regra), ainda assim vale a pena. Mesmo que eu não queira, eu tenho certeza. (Francis Helena Cozta)

Não

Faísca não é chama.
Gota não é mar.
Brisa não é ventania.
Trave não é rede.
Passo não é corrida.
Degrau não é escada.
Provar não é se alimentar.
Possiblidade não é concretização.
Contentamento não é felicidade.
“Quase” não é “sim”.
(Francis Helena Cozta)

terça-feira, 12 de novembro de 2019

“Pera aí”


Hoje é dia 4 de novembro de um tal 2019... O ano que me obrigou a visitar e escarafunchar todas as áreas da minha vida. Péra aí! Foi o ano ou fui eu? São 3 da manhã e uma insônia me acomete. Não por ter comido carboidrato antes de dormir. Pera aí de novo. Eu comi sim. Voltando... A insônia desse momento, além da culpa dada ao carboidrato (talvez), tem a ver com um turbilhão de pensamentos sobre tantas coisas que aprendi nos últimos dias/meses. O caminho para o autoconhecimento é muito louco. Ás vezes é muito difícil, mas forçar para enxergar tudo a olho nu tendo astigmatismo ou acostumar-se com a vista sempre embasada e achar que  essa é a única possibilidade de ver, pode ser mais difícil ainda. O desfoque já não é mais um opção. Porque quanto mais o tempo passa, aquela merda enfiada embaixo do tapete fica mais fedida. É preciso limpar a merda, não importa o quão desgastante seja, é preciso ter contato com ela de alguma forma. Eu (com metáforas ou não) tô é bem afim de jogar o tapete fora, botar o óculos na cara e enxergar tudo na sua mais precisa nitidez. (Francis Helena Cozta)
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Foto via Pinterest

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Vertical

Eu escolho ser feliz todos os dias e por isso faço tudo o que eu posso com tudo o que eu tenho. Tiro proveito de cada passo e pequena conquista. Por vezes acho que assim então está tão bom. Ah, que bom, tá tudo bem. Que distração! O que me faz arrebatadoramente feliz não tem substituição. A gente se engana achando que ser feliz já é bom, talvez porque “tenhamos” que nos encaixar no dia a dia comum e por vezes nos compararmos, mesmo que sem querer, com quem aceita a felicidade rasa e vive bem assim por escolha, falta de clareza ou por simplesmente não saber o que o faz arrebatadoramente feliz. A busca pelo arrebatadoramente feliz é árdua e por isso acabamos nos confundindo. Se é tão desgastante ir atrás de algo, como é que esse algo pode realmente me fazer bem? Parece estranho. Mas aí é que está! Algumas coisas são tão especiais, que seria impossível achá-las na superficialidade, mesmo que tentemos nos convencer do contrário. Não dá pra se contentar em ser feliz e ponto. Eu sei qual é o meu lugar no mundo, mesmo que eu tente me enquadrar em outros tantos lugares. Custa sim, custa muito seguir o caminho que você sabe que precisa seguir. Talvez porque quanto mais se cava, mais profundo se chega. Quão mais alta e dificultosa for a subida da montanha, mais linda será a vista. Mesmo que eu me distraia e tente “esquecer de lembrar”, eu sei. É vertical. O que te faz arrebatadoramente feliz não tem substituição. (Francis Helena Cozta)

domingo, 20 de outubro de 2019

Lá(qui)

Lá o tempo passa de maneira diferente.
Lá as pessoas não precisam de heróis (elas nem sabem o que é isso).
Lá o amor pelos animais, a conexão com a natureza e a preservação do meio ambiente são de verdade.
Lá não existe tribo, raça, gênero ou qualquer outra denominação para a rotulação ou segregação.
Lá as pessoas pedem permissão antes de falar, perguntar, escrever e opinar sobre a vida de alguém (principalmente se não a conhecem).
Lá as pessoas perdoam as outras porque aprendem a se “auto perdoar”, respeitam as outras porque aprendem a se “auto respeitar”, amam as outras porque aprendem a se “auto amar”.
Lá não se julga o outro, pois não se julga a si mesmo, se aceita.
Lá a prioridade é o autoconhecimento. 
Lá pode parecer utópico, eu sei.
Lá foi de onde eu vim e é pra lá que tento sempre voltar. Aqui. (Francis Helena Cozta)
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Na imagem estou na mostra “O absurdo e a Graça” de @flavia_junqueira_ na @zippergaleria