Não há como viver de outra forma que não assim: à beira do êxtase. Parece cansativo, eu sei. Mas se não assim, como? Se a vida apresenta as mais intensas sensações. Será a vida mesmo, ou sou eu quem a enxergo assim? Ja não importa se eu procuro o tal “caos” ou se ele é quem me chega. Não há economia de vida. As novidades me gritam que tem muito mais a sentir. A vontade do berro mudo me vem mais uma vez, mas dessa vez, é diferente. Ela vem na caminhada com o moletom gigante de pelinhos, a calça jeans larga, a bota, a bolsa grandona e o fone de ouvido que traz aquele samba… sim, aquele lá! Porque, meu amor, “eu perfumei o corredor e tem muita flor pra todo lado”.
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Dança, menina.
Ta tudo bagunçado e o fast food faz seu papel de salvar uma alma quase perdida.
Tantas coisas vêm à cabeça, e, de alguma forma, Rubem Alves está sempre cá dentro da mente relembrando que Ostra Feliz Não Faz Pérola.
Dias como o de hoje permitem o caos.
O “caos caótico”, mas também o “doce caos”. Ainda bem!
Pois como bem já disse Nietzsche:
-"É preciso ter o caos dentro de si para gerar uma estrela dançante".
Dança, menina, dança!
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Primeiras vezes
Muito se diz das primeiras vezes óbvias. Essas de quando somos bem novos. As primeiras vezes que talvez todos passem. Mas e as primeiras vezes não tão óbvias assim? As primeiras vezes das quais quase ninguém pensa ou fala. As primeiras vezes de quando já somos adultos maduros. Hoje, vivo diversas primeiras vezes. Umas interessantes, outras bem doloridas e muito solitárias. Hoje, foi a primeira vez que passei pelo aeroporto após uma viagem de trabalho e não comprei o presentinho. Hoje, pela primeira vez, eu cheguei de viagem e a casa (a do lado de cá) está vazia. (Francis Helena Cozta)
quarta-feira, 6 de maio de 2026
O Lado de Cá
Hoje eu vim pro lado de cá. É que a minha profissão tem dessas coisas, e o meu trabalho faz isso comigo. Ele me obriga, muitas vezes, a revisitar lugares bem íntimos. Digo físicos, mas também internos, aqui de dentro. Hoje eu vim pro lado de cá. Me doeu tanto. Confesso que enquanto eu escrevo isso, estou segurando o choro porque que estou no meio da rua. Hoje eu vim pro lado de cá e eu me lembrei de uma outra versão minha. A versão que tinha uma casa com cara de casa, e não uma casa com cara de quarto de hotel, mesmo eu amando quartos de hotel. Hoje eu vim pro lado de cá e me lembrei que a gente pode ser muitas coisas. Quem eu era do lado de cá, talvez fosse mais ingênua naquela época. Ou talvez só fosse uma versão diferente de mim mesma. Eu vim pro lado de cá e doeu. Mas ter permanecido do lado de cá e não ter conhecido o lado de lá, talvez fosse ainda mais dolorido. Não sei dizer. Eu preciso me lembrar que a saudade é o azar de quem teve muita sorte. Hoje eu vim pro lado de cá e talvez eu só me lembre de coisas daqui pelo fato de estar aqui. Quando a gente parte do lado de cá, quando a gente vai pro lado de lá, muita coisa muda. Muita coisa tem mudado. Personagens de temporadas muito antigas têm me revisitado. Personagens novos da versão que eu sou do lado de lá se fazem presentes todos os dias. Hoje eu vim pro lado de cá e me lembrei de quem eu sou desse lado aqui. Eu realmente não sei muito bem o que fazer com isso. Talvez não há nada que se possa fazer agora. Partindo da premissa que a gente muda, o lado onde estamos é apenas um reflexo de quem somos por dentro, e vice-versa. Estar do lado cá é triste, mas bonito, é poético e sofrido. Hoje eu vim pro lado de cá, mas daqui a pouco eu já estou voltando pro lado de lá e deixo aqui minha outra versão, a daqui. Hoje mesmo eu já volto pro lado de lá. (Francis Helena Cozta)
sexta-feira, 6 de março de 2026
Meu sofá
Faz mais de um mês que eu comprei um sofá.
Fiz as contas certinhas para que ele chegasse na data ideal.
Ele estava programado para chegar num determinado dia, então, fiquei no aguardo o dia todo. Eu precisava estar lá para recebê-lo, pois é um objeto bem grande, que ocupa espaço, e o prédio não teria onde armazenar. Vivi esse dia apenas para esperar a chegada do sofá. Ele poderia chegar a qualquer momento. Tomar banho tinha que ser rápido, pois o interfone poderia tocar. Qualquer tarefa diária era feita pensando na chegada do sofá. Não via a hora de me aconchegar nele. Será que eu tinha escolhido o tamanho certo? Só quando ele chegasse eu saberia se combinou com a casa. O sofá talvez seja meu lugar favorito de uma casa, e agora, eu teria um novinho só pra mim.
Aguardei ansiosamente o dia todo, e…
O sofá não chegou. A entrega está atrasada.
Ele está “em rota” há um tempo já.
Não há previsão de chegada.
Eu pergunto para o local onde comprei e eles dizem que a transportadora que atrasou.
O tempo todo eu entro no aplicativo para ver onde o meu sofá está, qual a sua localização e se existe alguma previsão de chegada. Vai que ele chega e eu não estou lá pra receber.
A ansiedade está presente o tempo todo.
Fico com receio de terem esquecido dele em algum lugar, ou terem mandado por engano para outra pessoa em outra cidade. Tantas coisas passam na minha cabeça, até se a culpa é minha por ter escolhido o fornecedor errado. To com tanto medo que ele não chegue.
“Ah, mas é só um sofá!”
Você não faz ideia do quanto eu preciso de um sofá, desse sofá, o meu sofá, mas ele não chega. Só avisam que ele está a caminho, que um dia chegará, mas quando?
Enquanto isso, eu olho pra minha sala vazia.
Ela está fria, sem ter onde sentar.
E eu? Continuo esperando ansiosamente.
Esse texto não é apenas sobre sofás.
(Francis Helena Cozta)
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
Linguagem do amor
Entre amar e ser amada, jamais hesitei em escolher a primeira opção. Mas, às vezes, o cansaço toma conta de um corpo exigente por uma certa linguagem do amor que requer presença. Quanta confusão ocorre cá dentro. E mesmo flertando com o que talvez eu jamais possa ter, pois a busca sempre me parece fascinante, hoje (talvez só por hoje) eu estou cansada. (Francis Helena Cozta)
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
1 ano
Hoje faz um ano que te conheci.
Sabe-se lá porque eu gravei em mim a data, seu rosto, sua voz, seu jeitinho, sua boca na minha.
Sabe-se lá porque não foi só mais um encontro casual de duas pessoas que fariam mais um trabalho juntas, e só passariam uma pela outra.
Algo de você ficou em mim.
Algo de você reverbera no meu corpo e me permite ser cafona a cada ideia e frase que escrevo pra ti.
Sabe-se lá o porquê de você não sair daqui de dentro de mim.
A maior dor que já senti, foi proveniente da sua ausência.
Os pensamentos mais lindos que tenho são todos para você.
Eu realmente não sei o que você fez comigo, mas você fez, xuxu.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
Diferente
É príncipe, bem que você disse que chegaria o momento da minha crônica sobre nós…
Hoje o nosso 04/02 está diferente de todos os que já passamos.
Enquanto escrevo, as lágrimas gritam aqui.
Quantas vidas cabem numa vida?
Na nossa, foram muitas. Muitas!!!
Quem éramos, por quantos fomos nos transformando, quem somos hoje?
Do que tenho certeza, é de que fomos só amor! Amor por absolutamente cada momento, cada decisão legal ou dificil que tivemos que tomar ao longo desses 16 anos. Todas as minhas transformações para o bem vieram através do nosso companheirismo. Foi você que me levantou todas as vezes que eu caí, foi você que me lembrou quem eu sou todas as vezes que eu me esqueci. Você me fez ser melhor e eu jamais esquecerei disso. Eu escolhi o melhor parceiro de vida que eu poderia ter. E até em momentos de extrema adversidade (como agora), você me mostra que eu estava certa em ser você!
Meu amor suave e natural, você jamais se livrará de mim, pois o que ocorre aqui vai além de qualquer rótulo ou papel assinado. Moreno que me convidou para dançar um xote, Jorge Versilo sempre será para você… “É incrível, nada desvia o destino, hoje tudo faz sentido e ainda há tanto a aprender…” as nossas coisinhas serão “as nossas coisinhas” para sempre! Os papais da Melody para sempre! Eu te amo e te amarei para sempre! Tudo, absolutamente tudo valeu a pena!!! Seja feliz, meu amor!!! (Francis Helena Cozta)
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
Oi vida
"Quarenta anos: não quero faca nem queijo. Quero a fome." Adélia Prado escreveu em julho de 1976. E cá estou eu, parafraseando-a em janeiro de 2026. O mês do avesso do avesso, da rotina um tanto quanto insalubremente divertida. O ano que começou me revirando a alma e trazendo a Alma. Palco, coxia, bar, hotel, madrugadas, música, choro e risada. E como não posso caber na estante, agora, parafraseando Clarisse, "já que sou, o jeito é ser". Oi vida, eu tô aqui! (Francis Helena Cozta)
sábado, 24 de janeiro de 2026
Aforismos de uma semana
- Quando as figuras de origem que deveriam acolher, não sentem ou só se auto veem, se constata a decepção já sabida.
- Amigos são as preciosidades mais deliciosas que a vida pode oferecer.
- A arte tem o poder de unir almas.
- Quanto maior o vocabulário, maior o mundo.
- O contraluz de uma janela grande tem poder mágico, e as cordas de um violão também.
- Descobrir que o que se achava que era extremamente custoso e burocrático, pode ser simples e descomplicado é libertador.
- É motivo de orgulho, alívio e felicidade sentir que temos o melhor parceiro que poderíamos ter até nos momentos de absoluta provação.
- A vida é dolorosa e poética em muitas instâncias. (Francis Helena Cozta)
domingo, 4 de janeiro de 2026
Carta da Prefeitura
No dia em que eu definitivamente me desgarrei,
você surge igual uma carta registrada da prefeitura.
Daquelas que você nem abriu ainda,
mas reconhece o envelope antes mesmo de ler.
A mão fica trêmula segurando o papel
e o coração palpita,
lembrando que ele ainda está muito vivo.
Eu tenho vontade de despejar tudo em cima de você.
Eu tenho vontade de falar tudo o que eu sinto,
de te mandar a minha lista de poemas que eu escrevi pra você,
de encher de novo a nossa playlist
com todas as músicas que eu dediquei em silêncio pra você
durante todo esse ano.
Dá vontade de berrar na sua cara que eu te amo,
que você entrou dentro de mim
e eu tentei de tudo pra te arrancar daqui
e é praticamente impossível,
porque você ficou aqui.
Mas eu preciso te dar espaço.
O mais importante agora é você se curar.
O mais importante agora é você aí
e eu aqui.
E eu realmente espero
que a gente se encontre nesse meio do caminho,
os dois curados das nossas próprias almas.
Como dizia Chico,
“talvez no tempo da delicadeza”.
(Francis Helena Cozta)
2/01/26
Há amores que não pedem licença.
Eles acontecem à revelia da geografia, do tempo, do juízo.
Acontecem porque dois se encontram num ponto sensível do mundo.
E, por ali, de alguma forma, permanecem.
Então, o amor também fica.
Fica suspenso.
No sentimento tácito.
No acordo silencioso.
No campo da poesia.
Para o poeta, escrever não é escolha, é sobrevivência.
É o modo que ele encontra de não adoecer, de não endurecer, de continuar vivo.
O poeta aprende, com atraso e cicatriz,
que poesia é oferta.
E oferta não cobra resposta.
Talvez um dia os dois se encontrem.
Um talvez sem cobrança, sem urgência, quase abstrato.
Porque o poeta também aprende
que silêncio é cuidado, e amar, também é dar espaço.
Esse amor encontra seu lugar.
E o que o sustenta não é o que está por vir,
mas o que já existe,
sem pedir chão.
(Francis Helena Cozta)
domingo, 28 de dezembro de 2025
Tô viva
Sim, teve Machado,
mas também teve Dostoievski.
Teve direção,
teve escrita,
teve teatro,
muito teatro.
Teve ballet,
teve retorno à dança,
teve retorno pra casa
e teve retorno pra quem eu sou.
Teve morte.
Teve distanciamento,
teve decepção
e teve choro.
Teve choro em posição fetal
ouvindo Vento no Litoral.
Eu cortei a franja,
pintei o cabelo,
fiz 40 anos
e gravei Bukowski na pele.
Me formei,
pós-graduada.
Fiz meu monólogo.
Quem diria,
eu estreei meu monólogo.
Eu me decepcionei muito,
mas também teve muita alegria.
E pra quem estava morta em 2024,
pra quem fazia planos, há dois anos,
pra cercear uma vida,
2025 foram 25 anos em um.
Teve muita vida,
muita vida,
e é isso que importa.
Pois, de alguma forma, os poetas estão perdoados.
(Francis Helena Cozta)
quarta-feira, 20 de agosto de 2025
Atrizes e hotéis
Tem algo de mágico em quartos de hotéis.
É uma solidão estranha. Você chega cansada depois de um dia de trabalho, e aquele espaço anônimo se torna sua casa por alguns dias ou talvez apenas por algumas horas. A janela desconhecida é um portal para uma cidade que talvez nunca mais te veja.
Acordar num quarto de hotel é acordar meio perdida. Que cidade é essa? Que história que eu tô vivendo agora? Algumas cidades são tão marcantes que dá vontade de ficar. Outras são passagens, como personagens que entram e saem do palco da vida da atriz.
Atrizes e quartos de hotel têm isso em comum. Ambos são feitos de presenças passageiras. Nem os quartos e nem as atrizes aprendem a dizer adeus. Apenas deixam ir.
O inverno sempre passa, apagando cicatrizes, mesmo quando o verão decide acabar cedo demais. E talvez seja justamente nesse vai e vem de cidades, palcos e camarins que a atriz aprende que sua vida não é fixa, mas feita de memórias, de personagens e de vidas que chegam e partem, talvez para nunca mais voltar… ou talvez não. (Francis Helena Cozta)
Completamente solitário
Não existe nada mais gostoso do que se sentir seguro em cena.
Nada se compara a sensação de olhar no olho do parceiro de cena e mergulhar nele sem medo, porque aqui dentro eu sei o que eu estou fazendo, ou seja, eu tenho total controle sobre o que sai da minha boca, sobre os movimentos do meu corpo e o que vem a seguir na cena.
Essa sensação só é alcançada quando temos total domínio da fala, da música, da coreografia.
Para ter esse domínio, existe um trabalho pregresso que é COMPLETAMENTE SOLITÁRIO.
E para mim, ESSE é o verdadeiro trabalho do artista.
É preciso mto além de “decorar” o texto, as músicas, as coreografias… É preciso se apropriar delas. Para isso é preciso horas de solidão e de auto confronto.
Ler o texto em voz alta até ele sair sem eu precisar pensar nele. Lavar a louça falando o texto, tomar banho falando o texto, fazer qualquer coisa rotineira falando o texto, até ele ser “tão meu” que eu já nem penso mais nele.
E aí, por não pensar nele, eu consigo olhar pro meu colega de cena e me entregar.
E não há nada que se compare a essa sensação.
Falar, falar, falar o texto em voz alta. Escutar, escutar, escutar, cantar, cantar e cantar a música até não aguentar mais. Assistir o vídeo da coreografia e errar, errar, errar até acertar.
O trabalho do artista é anônimo, repetitivo, solitário e silencioso. E só não é invisível porque podemos expor todo esse esforço de maneira “tão natural” no palco.
(Francis Helena Cozta)
Amanhã
Amanhã eu me despeço de você
Rituais de despedida são necessários
E como, de alguma forma, você ainda está em mim
Amanhã eu me despeço de você
O rompimento interno, por vezes, é preciso ser posto a prova por fora
Amanhã eu me despeço de você
Sei que você já não está mais em mim
Mas preciso mudar pra ter certeza
Parece algo tão irrisório
Mas a vontade de mudança está tão forte cá dentro
Preciso me desgarrar de ti
Amanhã me despeço de você
Amanhã me despeço de você como quem faz a contagem regressiva do réveillon
Pois, para mim, parece que todo o vivido esse ano, já é ano passado
Quantos anos cabem em um único ano?
Amanhã me despeço de você para dar continuidade ao novo ano, pois aquele findou em mim
Mesmo que tudo que eu esteja vivendo pareça ser uma continuação do mesmo ano, aqui dentro não é
E, então, por fora, amanhã eu me despeço de você
Eu preciso me testar, me pôr a prova, ver qual é que é
Preciso me olhar e não te reconhecer em mim
Já fiz algo parecido, mas diferente
Ou diferente, mas parecido… não importa
O que importa é que amanhã vai ter despedida
E quando tem despedida, tem outro começo
Eu amo começos
E é por isso que amanhã eu me despeço de você
(Francis Helena Cozta)
🩶🤍
sexta-feira, 6 de junho de 2025
Ternura
Passa, sempre passa
Mesmo que passe devagar
Compreensão
O objetivo é transformar a dor em ternura
Colocar amor onde já há
E mais ainda onde não há
Perdoados os que morrem de amor
E morrem mais uma vez... e continuam morrendo...
E... renascem
TBT
Na foto, há 7 anos, na tentativa (não a mesma, mas parecida) de transformar e renascer.
quarta-feira, 23 de abril de 2025
Me deixa
Hoje é dia do livro.
Então, me deixa escrever!
Mesmo que não fosse, eu escreveria da mesma forma.
Me deixa ser um pouco teimosa!
Agora é só o que posso fazer, agora é só o que tenho.
Queria eu não ser poeta.
Queria eu não sentir em demasia.
Queria eu não viver tão intensamente.
Esquece, impossível.
Tem algo cá dentro que vibra.
E já que não posso gritar aos quatro ventos, meu berro mudo esbraveja enquanto redijo.
Já não me importo mais em parecer cafona.
Assumo o tal posto.
Acato a condição de vida estabelecida pelo yin yang de se ter tudo, e, após a avalanche, não se ter nada.
Me deixa ser exagerada!
Eu achei que tinha enterrado esse lado, mas a vida sempre tem uma chapoletada escondia na manga.
Eu juro que tava serena.
Me deixa ser morna!
Esquece, impossível mais uma vez.
Como pode?
Existia uma vida antes.
Me matou, mas aí me lembrei de quantas vezes já morri.
Me deixa renascer!
(Francis Helena Cozta)
sexta-feira, 11 de abril de 2025
Último dia
As águas de Março, de fato, vieram para fechar.
Só que nesse ano o verão acabou cedo demais.
Eu entendo.
Está tudo certo.
É racional.
É o correto.
Está tudo no seu devido lugar.
É o prudente sendo feito.
Foi amor.
Ainda é…
Ainda.
Ainda dói, mas…
Hoje foi o último dia que eu chorei por você.
(Francis Helena Cozta)
domingo, 30 de março de 2025
Oradora
Era fevereiro de 2023 e eu me arrumava como quem vai pra escola como se fosse a primeira vez.
Quase 20 anos de formada.
O que eu tô fazendo aqui?
O Gustavo emendou a facul com a pós.
A Júlia tá fazendo várias pós ao mesmo tempo.
A Bruna trabalha numa startup.
Uau, meus colegas de sala são o máximo.
Quase 20 anos de formada.
O que eu tô fazendo aqui?
Essa era a pergunta que eu me fazia.
E ela sempre vinha, após os professores em suas primeiras aulas, pedirem para cada um se apresentar.
Confesso que em cada auto-apresentação, eu falei algo diferente.
Minha resposta ia mudando conforme o nosso curso avançava. Vinham algumas certezas e muitas dúvidas.
Quase 20 anos de formada.
O que eu tô fazendo aqui?
Olha os meus amigos.
Eles estão no mercado, tendo experiência.
E eu? Eu tenho experiência de vida.
Quando entramos no mundo acadêmico sendo jovens, amadurecemos.
E quando voltamos a esse mundo, agora maduros, rejuvenescemos.
Talvez a pós-graduação seja exatamente essa mistura.
Pra gente foi assim.
Decidir voltar a estudar depois de tanto tempo, emendar uma formação na outra, fazer um curso completamente diferente da graduação… Porque na nossa pós, passaram jornalistas, mas também publicitários, administradores, cozinheiros e atores.
Alem das nossas diferentes conexões a cada nova formação da turma, uns indo e outros vindo.
Marli…
Luís Mauro
Fernanda
Wesley
Krishma
Mirian
Cido
Nuno
Edson
Ellen
José Antônio
E… Júlio
Obrigada por entenderem essa mistura de gente e nos conduzirem tão bem.
Somos gratos pela incrível troca que tivemos ao longo do curso.
Foi uma uma honra aprender com vocês e estar numa instituição de ensino de tamanha relevância como a Casper.
Mestres-professores e colegas-amigos…
A vida nada mais é do que a arte do encontro.
E valeu demais termos nos encontrado e hoje findarmos esse ciclo juntos.
Mesmo que talvez, eu ainda me questione….
Quase 20 anos de formada.
O que eu tô fazendo aqui?
(Francis Helena Cozta)
