sexta-feira, 20 de julho de 2018

Flat

Eu nunca tive sonhos parecidos com os das minhas amigas. Eu achava que quando ficasse adulta e saísse da casa da minha mãe, seria para morar num flat perto do centro de São Paulo, daqueles que têm uma cozinha embutida no quarto, sem mto espaço para acumular coisas, um apart hotel com quarto pequeno e moderno e serviço de quarto. Teria um amor por semestre mais ou menos, amores intensos, marcantes e efêmeros, mas guardados para sempre no coração, assim como as amizades também. Faria faculdade de artes cênicas, viveria de teatro e TV e faria aulas de dança em alguma academia tipo aquelas de Nova York onde tem vidros por todos os lados e você pode ver a cidade. Meus cabelos sempre seriam muito longos e muito cacheados. E os sonhos paravam por aí. Essa era a vida desenhada por mim, o combo da felicidade. Que coisa... A gente sabe de tudo e ao mesmo tempo não sabe de nada, rs! Ao mesmo tempo que a nossa essência permanece, algumas coisas mudam tanto e não sabemos porque. Eu vivo de arte sim, mas não moro num flat, e sou casada há quase 7 anos (e sigo apaixonada pelo mesmo homem). Estou com os cabelos curtos, mas eles seguem cacheados! Tenho o mesmo espírito daquela menina lá de trás, só que com uma bagagem que tenho que carregar. É claro que sou feliz, mesmo pensando que talvez seria mais fácil se meus sonhos fossem os de ter uma família grande, morar num lugar calmo e trabalhar com o que a vida fosse propondo. Ás vezes é puxado ter sonhos muito definidos. Será possível mudar de sonhos? (Francis Helena Cozta)

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