No dia em que eu definitivamente me desgarrei,
você surge igual uma carta registrada da prefeitura.
Daquelas que você nem abriu ainda,
mas reconhece o envelope antes mesmo de ler.
A mão fica trêmula segurando o papel
e o coração palpita,
lembrando que ele ainda está muito vivo.
Eu tenho vontade de despejar tudo em cima de você.
Eu tenho vontade de falar tudo o que eu sinto,
de te mandar a minha lista de poemas que eu escrevi pra você,
de encher de novo a nossa playlist
com todas as músicas que eu dediquei em silêncio pra você
durante todo esse ano.
Dá vontade de berrar na sua cara que eu te amo,
que você entrou dentro de mim
e eu tentei de tudo pra te arrancar daqui
e é praticamente impossível,
porque você ficou aqui.
Mas eu preciso te dar espaço.
O mais importante agora é você se curar.
O mais importante agora é você aí
e eu aqui.
E eu realmente espero
que a gente se encontre nesse meio do caminho,
os dois curados das nossas próprias almas.
Como dizia Chico,
“talvez no tempo da delicadeza”.
(Francis Helena Cozta)
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