Há amores que não pedem licença.
Eles acontecem à revelia da geografia, do tempo, do juízo.
Acontecem porque dois se encontram num ponto sensível do mundo.
E, por ali, de alguma forma, permanecem.
Então, o amor também fica.
Fica suspenso.
No sentimento tácito.
No acordo silencioso.
No campo da poesia.
Para o poeta, escrever não é escolha, é sobrevivência.
É o modo que ele encontra de não adoecer, de não endurecer, de continuar vivo.
O poeta aprende, com atraso e cicatriz,
que poesia é oferta.
E oferta não cobra resposta.
Talvez um dia os dois se encontrem.
Um talvez sem cobrança, sem urgência, quase abstrato.
Porque o poeta também aprende
que silêncio é cuidado, e amar, também é dar espaço.
Esse amor encontra seu lugar.
E o que o sustenta não é o que está por vir,
mas o que já existe,
sem pedir chão.
(Francis Helena Cozta)
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